O questionamento socrático é um processo delicado e colaborativo utilizado na Terapia
Cognitivo-Comportamental (TCC) para avaliar a validade e a utilidade dos pensamentos
automáticos. Em vez de contestar ou desafiar diretamente o que o paciente está
pensando, o terapeuta utiliza uma série de perguntas para que ambos examinem a
cognição (pensamento) juntos.
O foco não é provar que o paciente está errado, mas sim ajudá-lo a desenvolver uma
resposta mais adaptativa. O método é considerado superior a abordagens didáticas,
pois promove a mudança de sintomas. As principais categorias de perguntas incluem:
Durante a sessão, o terapeuta pode usar folhas de exercícios ou listas de perguntas para
guiar o processo. É fundamental que a investigação seja imparcial, evitando que o
paciente ignore evidências reais ou adote um otimismo irrealista.
Ao final do questionamento, deve-se reavaliar:
A reestruturação cognitiva pode ser ineficaz se a avaliação for superficial, se as
evidências que apoiam o pensamento não forem devidamente exploradas, ou se o
pensamento automático for, na verdade, uma crença nuclear profunda (ex: "não tenho
valor") que exige outras técnicas ao longo do tempo. Além disso, em alguns casos, experimentos comportamentais podem ser mais poderosos que o questionamento
verbal para refutar previsões negativas.
Metáfora para compreensão: O questionamento socrático funciona como um Quando o Questionamento Pode Falhar. O terapeuta não chega com o veredito pronto; em vez disso, ele
e o paciente pegam uma lupa e examinam cada pista (evidência) no local do crime (a
situação) para descobrir se a acusação inicial (o pensamento automático) realmente se
sustenta ou se há outro culpado mais provável.
BECK, Judith S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 3. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2021. p. 413 – 444.
