A procrastinação não deve ser confundida com a decisão consciente de adiar uma tarefa para
pensar melhor ou buscar mais informações. Ela se caracteriza pelo adiamento voluntário e
desnecessário de uma atividade, mesmo quando a pessoa sabe que isso trará consequências
negativas. Esse comportamento está ligado a dificuldades de autorregulação, ou seja, à
capacidade de lidar com pensamentos e emoções diante de uma obrigação.
Na maioria das vezes, procrastinar funciona como uma forma de aliviar emoções desagradáveis
no curto prazo. Ao evitar a tarefa, a pessoa reduz momentaneamente sentimentos como
ansiedade, medo de errar, insegurança ou tédio. Além disso, fatores cognitivos, como o
perfeccionismo e pensamentos que justificam o adiamento (por exemplo, “agora não estou bem,
depois farei melhor”), contribuem para a manutenção desse comportamento.
Embora traga um alívio imediato, a procrastinação tende a se transformar em um hábito
prejudicial. Muitas pessoas conseguem concluir a tarefa apenas quando o prazo está próximo,
impulsionadas pela pressão e pela adrenalina. Isso reforça a impressão de que esse método
funciona. No entanto, a longo prazo, esse padrão costuma gerar mais estresse, queda no
desempenho e sentimentos frequentes de culpa e inadequação.
Para quebrar esse ciclo, a Terapia Cognitivo-Comportamental propõe algumas estratégias:
Superar a procrastinação é um processo gradual, que exige esforço e persistência para
modificar um hábito já estabelecido. Envolve aceitar um desconforto inicial para alcançar
benefícios mais duradouros no futuro.
Psicoeducação em terapia cognitivo-comportamental / organizado por Marcele Regine de
Carvalho, Lucia Emmanoel Novaes Malagris e Bernard P. Rangé. – Novo Hamburgo : Sinopsys,
2019.
